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Quando uma natureza bravia e uma natureza pacífica se encontram

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 28.11.08

 

A força da natureza. A lógica do progresso. Uma ilha incómoda. E a descoberta do desejo, também ele indomável. Um encontro que se revela criativo. Wild River.


Voltei a descobrir este filme, desta vez na RTP Memória. Desde que o vi pela primeira vez que me tocou de uma forma estranha. Como capta a força indomável da natureza, a cor outonal, os sons... E as personagens, os diálogos contidos, os gestos expressivos... Há qualquer coisa de muito terreno, selvagem e poético neste filme! A terra e a alma estão ligadas, na avó da jovem mulher. A própria mulher é um pouco bravia, como aquele lugar. Eu sei que somos muito diferentes, dirá ela ao homem da barragem, que vem para resolver a resistência à abertura da comporta. Talvez... mas a sua paz (a dele) é mais aparente do que real. E às vezes só se encontra a tranquilidade aceitando e vivendo as tempestades interiores (neste caso, são mais chuvadas, está-se em Outubro).

Bem, nesta altura já deu para perceber que o filme me tocou mais do que a maioria dos filmes... Talvez porque o meu lugar é, também ele, assim bravio: montanhas isoladas, de pinheiros bravos e ribeiras tumultuosas... Sim, e perto, uma barragem também, também assim azul...


Voltando ao Wild River: A avó de uma jovem mulher, viúva com dois filhos, recusa-se a sair da ilha onde sempre viveu. Permanecerá ali, teimosamente, até a obrigarem a sair. Vemos, no seu último olhar desesperado para a árvore que cai, que alguma coisa dentro de si também começou a cair... E mesmo que a nova casa também tenha um alpendre, como o homem da barragem quis que fosse respeitado, para lhe agradar... não durará muito, adormecerá na cadeira, nesse alpendre, de desgosto. O empregado fiel aguardará ali perto, talvez porque pressinta o fim. Um pormenor em que só desta vez reparei.


Há momentos verdadeiramente mágicos! Como eram contidos e, ao mesmo tempo, tão intensos, os filmes desta época! E como se conseguiam exprimir emoções e sentimentos de forma tão minimalista. Elia Kazan é exímio nessa atmosfera carregada de desejo. Tudo no ritmo certo, nos gestos, na coreografia. A agitação é interior, está quase a explodir, já a sentimos no ar. Depois desse encontro, ela volta na barcaça. Despedem-se de longe. Vemos no seu sorriso que tudo está diferente. Eles mudaram. E será assim a partir daí. Até ele descobrir que não é assim tão auto-suficiente... que (também ele) precisa dela.
Não é fácil amar-te, dir-lhe-á ela. Mas eu amo-te... eu amo-te... Está à sua frente, tão franca e vulnerável, tão altiva e comovente. Sim, orgulhosa de amá-lo, mesmo podendo perdê-lo. Sei que em breve te vais embora, tinha-lhe dito. Leva-me contigo.


Sim, há qualquer coisa de bravio neste filme. E de poético também. Talvez seja essa a força da natureza, a que o homem pacífico não irá poder resistir. Não apenas se apaixona pela jovem mulher, como aceitará o seu desafio e da forma mais inesperada possível. Talvez por ver como ela o defendeu, como uma gata selvagem, naquela luta em que mais uma vez perde. Gostava, por uma vez que fosse, de ganhar uma luta... Ela diz-lhe que isso não é importante. Ali estão, no meio da lama onde tinham caído, lado a lado. E então o homem pergunta-lhe se quer casar com ele... que ele provavelmente se irá arrepender e que certamente ela se arrependerá... Mais inesperado do que isto é impossível.


Sim, o homem ganha uma família instantânea, como já lhe tinha dito, de forma sarcástica, um dos manda-chuvas do sítio. O mesmo que lhe batera forte e feio. Estes indivíduos exemplificam, na perfeição, a rudeza e a rigidez de alguns lugares provincianos. Também é aqui visível o racismo, em que não há igualdade de tratamento nem de salários. Esse é, aliás, um dos pontos de fricção cultural: o homem da barragem insiste em furar aquelas normas absurdas e paga exactamente o mesmo a todos os que contrata. Aqui também podemos medir a sua coragem na medida inversa à sua habilidade e força física. Torna-se especialista em levar pancada. Sim, podemos medir aqui a sua coragem na forma como se sujeita à violência física, não abdicando dos seus princípios.

 

Em Wild River a natureza está sempre presente. De certo modo, a natureza acompanha as emoções das personagens, as suas tempestades interiores. A fotografia e o som, sempre a lembrar-nos que tudo isso também está a acontecer dentro de nós, uma chuvada, um rio que se atravessa, uma ilha que se abandona, uma árvore a tombar…
O ritmo também acompanha as emoções de muito perto. E mesmo que algumas cenas nos pareçam suspensas no tempo, em que só se sente a respiração das personagens, diríamos que numa linguagem e num tempo mais próprios do teatro (e isso é muito Elia Kazan), ainda assim estamos na linguagem do cinema, no tempo do cinema, quando se cruza com o teatro de forma perfeita.
As personagens e os actores, os actores e as personagens, confundem-se aqui. Lee Remick é a viúva um pouco bravia. Montgomery Clift é o homem pacífico. Jo van Fleet é a mulher da ilha, de um território, raiz de uma árvore ancestral que o progresso arranca sem-cerimónia nenhuma.
A natureza e o progresso, a natureza e o homem, num equilíbrio instável. Em Wild River até a barragem parece ligar-se de forma poética às montanhas que a envolvem. Mas será possível dominar um wild river?

 

 

 

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publicado às 13:48

A vida sonhada

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.11.08

 

A obsessão dos sonhos infantis. Sonhar com o Paraíso e descobrir que se perdeu o essencial, e que o Paraíso é, afinal, um mausoléu.
Fascinante, perfeita, esta reprodução fiel de toda uma atmosfera irreal. Porque irreal é a vida da rapariga, Angel. As grandes ilusões, as busca que julga essenciais, só porque em criança olhou, através de um portão, todo um mundo que lhe pareceu mágico: o Paraíso.
Vemos tratar-se de um melodrama. E vemos que aquela atmosfera nos lembra outra época do cinema: cenários delirantes, salas enormes, janelas altíssimas, reposteiros que parecem descair do céu. François Ozon dir-nos-á, na entrevista (no DVD), que Angel é essencialmente uma homenagem aos retratos de época dos anos 30 e 40, muitas vezes elaborados por realizadores europeus, expatriados devido à guerra.
Revela ainda ter ficado fascinado com o livro (1) e com a personagem Angel que é baseada, aliás, numa grande escritora, contemporânea de Óscar Wilde e preferida da Rainha Vitória, actualmente completamente desconhecida, mesmo do público inglês. Terá sido uma das primeiras escritoras inglesas com best-sellers. E explica que, na sua adaptação, procurou alimentar-se das suas próprias obsessões, da sua visão do livro, da sua interpretação do enredo. Refere ainda que Angel não é uma personagem simpática, inspira sedução e rejeição. (2)
É fascinante acompanhar este amor ao Cinema, esta paixão, diria mesmo, de François Ozon! E isso é visível na entrevista. Para evidenciar que a história de Angel está mais na sua cabeça do que na realidade, por exemplo, recorre a técnicas utilizadas no Cinema até aos anos 50: montagens de imagens que passam por trás dos actores. (3)
Quem ama o Cinema, o cinema-arte, o cinema quase perdido, gostará de ver Angel. O enredo é melodramático, intenso, excessivo. François Ozon dar-lhe-á uns retoques que resultarão de forma surpreendente no filme. E as personagens, muito bem construídas. Os actores, maravilhosamente dirigidos. (4)

 

E vamos então às personagens:
Angel: cria um mundo de fantasia onde vive e se refugia. Dela se poderá dizer que a loucura é sedutora e que os sonhos infantis são obsessivos. Sonha com uma vida principesca, como a crianças. Nega e rejeita a sua realidade, de quem mora por cima da mercearia, onde a mãe passa o dia, numa rua que considera feia e deprimente. A lógica da sua vida será essa: perseguir o sonho até o encontrar.
A mãe de Angel: simboliza a vida simples, a sensatez, a dedicação, a responsabilidade, o convívio, os afectos genuínos, a generosidade. É o grande amor pela filha que a perderá. Deixar-se-á envolver pela sua loucura, segui-la-á naturalmente para o casarão e aí murchará a olhos vistos. Ali não há lugar para o convívio sequer. Perdeu todas as referências: o contacto com afectos genuínos, uma rotina de cuidar dos outros, de ser útil e necessária a alguém.
O editor: ficará de imediato fascinado, seduzido, por toda aquela energia de Angel, que tentará disciplinar um pouco, mas sem qualquer resultado. A rapariga é obstinada, completamente fechada a sugestões. Para quem já tem todo o seu futuro programado na cabeça, ao ponto de nada nem ninguém lho poder alterar, como poderia aceitar alterar pormenores dos seus romances delirantes? Mas o editor já se rendera ao seu encanto e, além de publicar os seus romances delirantes, sem nada alterar, será para ela uma figura paternal, recebê-la-á em casa, apesar da irritação que provoca na mulher, que não tem paciência para raparigas patetas.
A mulher do editor: ainda atraente, há nela uma mistura sedutora de sensatez e de ironia, cultura e requinte, inteligência e frontalidade. Talvez um pouco cínica, mas apenas como forma de se adaptar melhor a uma sociedade artificial e fútil onde o casal se movimenta. Inicialmente irritada e impaciente com aquela criatura arrogante, lamentará mais tarde os seus infortúnios e aceitará filosoficamente o fascínio do marido por ela.
Esmé, o marido de Angel: o homem em quem Angel fixa a sua obsessão. O seu amor (dela) é intenso, excessivo, sufocante. Deixa-se amar por ela, porque lhe convém a protecção financeira. Ou também porque ela é a única que acredita no seu valor artístico. François Ozon coloca-o, no filme, como representante dos artistas que se antecipam à sua época, os incompreendidos: vemos os seus quadros empilhados no estúdio porque ninguém lhos compra, a não ser Angel.
Nora, a irmã de Esmé: é a amiga fiel, sim, como um cão fiel, que vive na sombra de Angel. É a pessoa que idolatra os outros, apagando-se. De certo modo, aqui a alimentar o narcisismo, o egocentrismo de Angel. É um suporte emocional e afectivo, a confidente, com quem se conta sempre. Ficará com Angel até ao fim...
Mas antes de verem o filme e descobrirem como François Ozon transportou a história para a linguagem do Cinema, fechando-a, de forma dramática, as cenas que escolhi:

- nessa noite fria, quase fantasmagórica, Angel e o editor olham, através do portão, o Paraíso. Angel fala-lhe do seu sonho de infância, de como passava por ali e ficava a olhar, através das grades do portão, todo um mundo sonhado... O editor ouve-a, atentamente. E então colhe uma flor de uma trepadeira e oferece-lha: Uma dádiva do Paraíso...
- o editor conversa com a mulher e fica surpreendido ao vê-la dizer que lamenta o infortúnio da rapariga: Não consigo aceitar a escritora, mas aprendi a admirar a mulher, a forma como lutou pelos seus sonhos. E mais surpreendido fica quando a mulher lhe pergunta se ainda está apaixonado por ela: O que te leva a dizer isso? A mulher responde: Os teus olhos...

 

Angel verá, no final, que a sua foi uma vida sonhada. Mas nós sabemos que houve alguns momentos de verdade. Foi ao editor que ela confiou o seu sonho e os seus medos: a fealdade de uma rua e de uma vida obscura.
Aqui sobrevivem e resistem as personagens que melhor se adaptam à vida real. Nora irá tentar manter a sua memória, embora, como diz ao editor, os seus livros já não sejam populares. François Ozon consegue aqui uma certa ironia histórica: Angel, que utiliza a sua arte para agradar ao público, o que a torna famosa e rica, é completamente esquecida; Esmé que, contrariamente a Angel, procura na arte a autenticidade e que é incompreendido na sua
época, será reconhecido após a sua morte.

 

(1) de Elizabeth Taylor, sim, perceberam bem...

(2) Para construir a personagem Angel, inspirou-se em Scarlett O'Hara - magnífica Vivian Leigh!

(3) Lembram-se dos filmes em que os actores viajam de carro, sobretudo, e a imagem corre por trás? Hitchcock utilizou-a com frequência.

(4) ...com algumas peripécias de comunicação: deliciosa descrição da reacção de Sam Neill que não percebe o francês e que é apoiado pela colega e amiga Charlotte Rampling.

 

 

 

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publicado às 12:11

Quando o Cinema antecipa a História

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 18.11.08

 

Guess Who's Coming to Dinner está carregado de significado histórico. Foi o último filme com o par mágico Katharine Hepburn-Spencer Tracy. E antecipou, de forma curiosa, a eleição de um Presidente-síntese racial e síntese cultural.

Só neste fim-de-semana, ao revê-lo no canal Hollywood, reparei que, no próprio filme, no diálogo entre o pai da rapariga (Spencer Tracy) e o médico com quem ela quer casar (Sidney Poitier) esse acontecimento é antecipado no plano do possível e de um optimismo (da rapariga):

Joanna diz que os nossos filhos podem até vir a ser Presidentes...

Um pouco adiante o pai da rapariga diz: Talvez daqui a 50, 100 anos...

 

Sim, o filme antecipa já novos tempos para a América...

Quase consigo imaginar o escândalo que o tema terá despertado na altura em muitas mentes fechadas. E não apenas na comunidade branca, digamos assim. Também o filme refere isso: a resistência àquele casamento é uma resistência das  duas comunidades (e inclui Tillie, a empregada que está naquela família há mais de 20 anos e quer proteger a sua menina).

Estava-se em 1967. E o mais fascinante dessa época é a incrível frescura de um certo Cinema, e de uma parte dos intelectuais, que contrasta com uma outra parte muito agarrada a tradições e preconceitos.

 

Mas voltemos ao filme: a resistência das duas comunidades. Como em Tillie, que assimilou, sem questionar, que uma coisa são os direitos civis. Outra, muito diferente, o que se passa aqui...

Essa resistência não é igual no lado feminino e no lado masculino. No lado feminino, esta resistência é só no primeiro impacto (fabulosa Katharine Hepburn!), pois são mais rápidas e flexíveis na aceitação da situação. Ou porque vêem e sentem o afecto genuíno daqueles dois, os fortes laços que os unem.

A resistência masculina permanece até ao fim (do filme, entenda-se).

Magnífico diálogo entre o pai da rapariga e a mãe do médico em que ela, apesar de perceber a sua motivação (dele) proteger aqueles dois, não via que iriam sofrer muito mais se não pudessem ficar juntos. E diz-lhe com lágrimas na voz: os homens, quando envelhecem, esquecem-se do amor que sentiram quando jovens...

É esta simples frase que mais impacto terá no pai da rapariga e que lhe dará o mote para aquele monólogo final, que é de cortar a respiração e de nos deixar arrepiados, porque é sobre aqueles dois mas também com aqueles outros dois: Spencer Tracy e Katharine Hepburn. É nesse monólogo que diz lembrar-se perfeitamente desse amor enquanto jovem, desse amor ainda vivo. E esta frase fica no ar: Se vocês sentirem um pelo outro metade do que nós sentimos, valerá a pena.

 

Ainda não lhes dediquei um texto neste rio sem regresso. Como foi isso possível, se têm sido uma das minhas maiores referências?

 

Mas hoje é da antecipação da História, e de Sidney Poitier que vou falar. Porque vi, há uns meses um documentário no canal ARTE e o papel simbólico de Sidney Poitier nesta mudança anunciada. Um papel de continuidade histórica também.

Sidney Poitier sabe que as anteriores gerações de actores afro-americanos lhe abriram um caminho, que ele continua. É como se lhe preparassem a possibilidade de dar o passo seguinte: de personagens com profissões subservientes (amas, empregadas domésticas, motoristas, seguranças, recepcionistas de hotel, moços de recados, etc.) para personagens com profissões com formação académica e socialmente mais influentes.

Interessante observar como também em Guess Who's Coming to Dinner vemos já uma diferença de postura e de atitude nas duas gerações. Uma, a do pai do médico, que teve ainda de lutar, numa sociedade que lhe lembra todos os dias a sua condição de "negro", para investir numa vida melhor para o filho. E outra, a do filho, que interiormente reformulou essa imagem social, para se afirmar noutra dimensão: a sua condição de homem, acima de tudo.

Também esta ideia de continuidade de um percurso cultural, de uma evolução de mentalidades está no filme:

No diálogo do médico com o seu pai, este, para o dissuadir do casamento, tenta o argumento da cobrança afectiva e lembra-lhe todos os anos de sacrifícios e privações para que ele pudesse ter um futuro melhor. Mas sem resultado. O filho responde-lhe à letra, que o que o pai fez por ele é o que um pai faz pelo filho, é o mesmo que ele próprio fará pelo seu filho. E por fim resume, no olhar e numa frase, tudo o que sente naquele momento: Eu amo-o, é o meu pai. E por isso só espera que o pai aceite a sua felicidade.

 

Sidney Poitier é um homem inteligente e com uma forma insólita e desarmante de abordar a questão racial. Em parte  porque não nasceu na realidade americana. Como ele próprio referiu no documentário: Na América os afro-americanos são uma minoria. Mas nas Caraíbas, somos a maioria da população.

Por isso, quando o questionaram sobre o seu fraco papel no activismo afro-americano, respondeu: Continuam a tentar reduzir-me a essa dimensão, a minha negritude. Mas essa é apenas uma das minhas facetas. Além de tudo o mais, sou um homem, sou um cidadão americano, tenho uma determinada personalidade, uma intervenção e uma história.

 

 

 

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publicado às 12:16


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